15 perguntas para escrever antes de ir ao psicólogo
Quinze perguntas curtas para quando você quer anotar algo e não sabe por onde começar. Para usar durante a semana, não na noite anterior.
"Escreva o que você sente" é o pior conselho possível quando você não sabe o que sente. A página em branco, ou o cursor piscando, não ajudam. O que ajuda é uma pergunta concreta, que se responda em uma frase e que aponte para algo que a terapia possa usar.
Estas quinze perguntas foram pensadas para isso. Não são para responder todas: são para escolher uma quando você quer anotar algo e não sai. Escreva ou grave; um minuto basta.
Sobre o dia
1. O que mais ocupou minha cabeça hoje?
Não o mais importante. O que mais espaço ocupou. Às vezes coincidem; às vezes a diferença é o assunto.
2. Houve um momento em que eu gostaria de ter reagido diferente?
Uma resposta que você deu, algo que calou, uma porta que fechou demais.
3. Quando me senti bem hoje, mesmo que por pouco tempo?
Esta sempre é esquecida. E o que te faz bem é tão material de terapia quanto o que te faz mal.
4. O que adiei de novo?
Se a resposta é a mesma três dias seguidos, você já sabe do que falar na quinta.
Sobre as pessoas
5. Com quem falei e fiquei com uma sensação estranha?
Não precisa saber por quê. Só com quem e qual sensação.
6. Quem eu evitei?
Uma mensagem sem resposta, uma ligação que você deixou tocar. Evitar é informação.
7. Disse sim a algo que queria dizer não?
Ou o contrário. Anote o quê e para quem.
8. O que eu gostaria que alguém tivesse me dito hoje?
Esta costuma abrir mais do que parece.
Sobre o corpo
9. Como dormi, e aconteceu algo antes de dormir?
Só se foi diferente do habitual.
10. Em que momento notei tensão, cansaço ou nervosismo no corpo?
Mandíbula travada numa reunião, estômago fechado antes de uma ligação. O corpo registra antes da cabeça.
Sobre a terapia
11. O que ficou martelando da última sessão?
Escreva no mesmo dia ou no seguinte. Na quinta seguinte já não está mais lá.
12. Tem algo que não contei ao meu terapeuta e não sei por quê?
Você não precisa contar. Só anotar que existe.
13. O que quero falar na próxima quinta, em uma frase?
Se consegue responder esta, já está preparado.
Para olhar para trás
14. O que se repetiu esta semana em relação à anterior?
Uma pessoa, uma situação, uma frase que você diz para si mesmo. Repetição é padrão, e o padrão é o que se trabalha.
15. O que já não me acontece tanto?
A mais difícil e a mais importante. A ausência não chama atenção, mas é onde a mudança aparece.
Como usar
- Uma de cada vez. Não é um questionário. Escolha a que fala com você naquele dia.
- Na hora. Se algo acontece às 4 da tarde, a resposta às 4 da tarde vale mais do que a das 11 da noite.
- Sem editar. A primeira resposta costuma ser a boa. Se você começa a corrigir, já não é um registro, é um texto.
- Por voz, se escrever custa. Gravar trinta segundos respondendo a uma dessas perguntas é tão válido quanto escrever. Às vezes melhor.
- Releia antes da sessão. Cinco minutos. O que você anotou durante a semana é a sua lista de assuntos.
Guarde esta lista onde possa vê-la. Com o tempo você não vai precisar dela: as perguntas se tornam automáticas, e anotar deixa de ser uma tarefa para ser simplesmente o que você faz quando algo acontece.
A Harmony faz essas perguntas quando você abre o app e guarda o que responde, por voz ou texto, para a sua próxima sessão. É um complemento ao seu processo, não um substituto.